quinta-feira, 2 de julho de 2009

A fé em jogo


Ao ganhar o título da Copa das Confederações no último domingo, os jogadores da seleção brasileira se reuniram no meio do campo para rezar. Muitos usavam camisas com os dizeres "eu amo Jesus". Essa manifestação explícita de religiosidade foi reprimida pela Fifa, após o protesto de várias federações de futebol, dentre elas a dinamarquesa, cujo presidente afirmou:"misturar religião e esporte daquela maneira foi quase como criar um evento religioso em si".

O que eu penso disso?

Nunca gosto de respostas demasiadamente afirmativas. Deixe-me recorrer a outro fato recente. Há pouco mais de uma semana, o presidente da França, Nicolas Sarkosy fez um discurso histórico contra o uso da burka (aquele véu negro, que cobre as mulheres da cabeça aos pés). Para aqueles que o acusaram de estar se voltando contra um símbolo da religião islâmica (numa suposta hostilidade religiosa), Sarkosy disse mais ou menos o seguinte: "a burka não é um símbolo religioso, mas um símbolo da opressão contra a mulher".

Acertou em cheio o presidente francês. O culto ao relativismo cultural tem nos feito aceitar qualquer atitude "religiosa" como evento privado, ao qual não se deve criticar.

E os jogadores da seleção? Para eles tenho duas perguntas sinceras:
1) Jesus era adepto deste tipo de marketing?
2) Uma propaganda religiosa desvinculada de uma prática coerente gera escândalo ou atrai a simpatia? (Quantos destes caras que estampam camiseta "I love Jesus" não são vistos diariamente praticando ações pouco adequadas a um cristão sincero?)

Sou um cristão convicto. Compreendo que as religiões devam ter seus programas missionários. Mas... como fazer isso?

Talvez Gandhi esteja certo. É dele a seguinte reflexão: "Não creio que uma pessoa possa falar a outras sobre sua fé, especialmente com o objetivo de conversão. A fé não pode ser narrada, tem de ser vivida. É assim que ela se torna capaz de se autopropagar".

3 comentários:

Manuel Carreiro disse...

Aqui nos EUA ninguém acompanhou essa pelada que definiu esse torneio que não vale nada.

Ainda não tendo grande alcance tampouco dimensão, trata-se, claramente de marketing.

Ridículo.

Agora, o argumento do presidente da federação dinamarquesa também é fraco.

Ele se esquece que o futebol nada mais é do que a religião de muita gente. E por ser religião, não se deve misturar às outras.

Qualquer Um disse...

Caro Jornalista-Reverendo,

Eu não gosto deste marketing religioso. Banaliza.
Mas, deve ser porque sou chato, presbiteriano e careta. Bem, estas 3 coisas são sinônimos:-)
Para mim testemunho do milagre é o drible. Heresia mesmo é é o Gilberto Silva travando aquele meio-de-campo
Um ab
edu

Maria disse...

Que citação fantástica. Também sou cristã convicta, e penso que quando se há ato todo o resto é dispensável.