segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A lista



Chegou a hora de fazer as listas.
Promessas de ano novo.

Se pensássemos como Kierkegaard, a nossa lista seria muito curta: "pureza de coração é desejar uma coisa apenas".

Escolher é deixar muitas coisas de lado.
As nossas mãos não podem alcançar tudo o que a alma deseja.

Deveríamos, a cada ciclo, fazer o exercício de olhar para trás e diagnosticar a efetividade das nossas escolhas.

Quem sabe, buscar muito pouco em 2009: escolher alguém para cultivar uma nova amizade (uma pessoa apenas), tomar mais água e menos café, brincar de boneca com as filhas...

Coisas que podem nos livrar da sensação de que o mundo nunca gira em nosso favor.

 Oswaldo Montenegro - A lista


Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?


sábado, 27 de dezembro de 2008

É claro que o sol vai voltar


365 dias e, mais uma vez, nós temos a chance de recomeçar. A definição do calendário é arbitrária, mas segue a lógica da natureza. Em 365 dias, vivemos as quatro estações, um ciclo que se completa.

Sinto falta de mais recomeços. Talvez devêssemos festejar cada nova estação. Dividir o ano em quatro, a fim de que sempre estivesse próxima a possibilidade de refletir sobre o passado e ver o futuro com os olhos da esperança.

Quando nossas atenções se voltam para a simbólica passagem do tempo, sempre existem duas possibilidades: ou nos desesperamos porque não conseguimos impedir que nossas angústias sigam juntas conosco para o novo tempo ou entramos em êxtase porque há portas que se abrem de forma clara em nossa frente.

Esse é um exercício rejuvenescedor. É por isso que eu gostaria de vivê-lo em cada estação.

Eu não sei onde está seu coração nesta passagem para 2009. Há mais expectativas pelo novo que se aproxima com suas surpresas ou angústias por não ter as coisas sob controle?

Neste momento, só há uma certeza: é claro que o sol vai voltar amanhã, mais uma vez!

 14 Bis - Mais uma Vez


MAIS UMA VEZ (Flávio Venturini e Renato Russo)

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança

Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O Natal é uma criança


Se tirarmos o corre-corre das compras, as luzes que iluminam as praças, o cheiro de peru assado, os bêbados colhidos pela madrugada, restará uma criança deitada na manjedoura.

O Natal deveria ter uma criança no centro de nossas atenções. O Natal é o nascimento de uma criança. Mais que isso, é Deus se fazendo criança.

Sabe por que isso? Para nos alertar de que é preciso continuar sendo criança. Como deseja Manoel de Barros:

Tenho candor
por bobagens.
Quando eu crescer eu vou ficar criança.


O próprio Jesus, o mesmo da manjedoura, nos alertou para isso:

Quem não se tornar como uma criança, de modo algum entrará no Reino dos Céus.

Alguns pensam que devemos ser crianças para preservar a pureza, a honestidade, a bondade, para nos livrarmos do preconceito, dos maus pensamentos.

Eu não. Acho que precisamos voltar a ser crianças para reaprender a brincar. Brincadeira como coisa séria, feito nas imaginações da Beatriz. A criança é alguém que só quer brincar. Quando cresce, vai desaprendendo tudo, e ganhando uma série de preocupações inúteis.

Só quem reaprende a brincar, como criança, pode abrir os olhos para o que parece invisível: a fantasia da vida.

A vida é uma fantasia.
O Natal é uma criança.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Fanatismo (Florbela Espanca)



Minh' alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver
pois que tu és já toda minha vida
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história, tantas vezes lida!
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa...”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina, fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como um deus: princípio e fim!...

Eu já te falei de tudo, mas tudo isso é pouco,
diante do que sinto.

 Fagner - Fanatismo

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Deu no jornal


A Beatriz ainda não sabe o que é um jornalista. Tem só 3 anos. A Júlia, com 9, ainda está longe de escolher uma profissão, mas já consegue definir com precisão o espírito do jornalismo.

Na semana passada eu estava mostrando para ela o local em que havia presenciado um acidente grave. Fui questionado: "alguém morreu, papai?". Eu não soube responder, mas ela mesma resolveu o dilema: "não deve ter morrido, porque eles não mostraram na televisão. Todo dia eles mostram alguma morte no jornal".

De forma simples, Júlia descreveu o que nós poderíamos descrever como um dos princípios da ideologia da informação no jornalismo. Como diria o ditado repetido nas redações: "good news is bad news".

Notícia é o que transgride uma realidade previsível. Ninguém espera que um repórter se apresente ao vivo num telejornal para dizer que todos os vôos chegaram no horário e não houve imprevistos. O que se deseja é que ele sempre tenha um "caos aéreo" para descrever.

Não estou aqui defendendo um jeito de fazer jornalismo. Meus argumentos servem apenas como introdução para uma pergunta (a maior introdução da história):

- Por que sempre nos incomodamos com o que é constante, previsível, supostamente desprovido de desfechos espetaculares? Por que não temos mais a capacidade de nos emocionar com aquilo que encontramos no cotidiano?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O amor e suas escolhas


Vou buscar uma frase como pretexto para falar de um tema que não sai do blog. A música do Fernando Brant me veio à cabeça por acaso e diz: "o medo de amar é o medo de ter de, a todo momento, escolher, com acerto e precisão, a melhor direção"

Não sei o que ele quis dizer, mas sei o que penso quando ele diz.

O amor verdadeiro só é pleno quando pode caminhar junto, quando olha o mesmo horizonte, quando espera chegar lá tendo ainda consigo a coisa amada.

Não, não quero dizer que seja tudo uma fantasia embalada como um conto de fadas. Porque não é uma fantasia, é amedrontador pensar que devemos fazer escolhas definitivas a todo instante. Sem elas, deixamos de amar. Errando, podemos não chegar lá. Resta-nos, então, escolher certo.

Todos desejam um amor que seja infinito. Entre o desejo e o real, estão as escolhas.




 Beto Guedes - O medo de amar é o medo de ser livre


O MEDO DE AMAR É O MEDO DE SER LIVRE
(Beto Guedes - Fernando Brant)

O medo de amar é o medo de ser
Livre para o que der e vier
Livre para sempre estar onde o justo estiver

O medo de amar é o medo de ter
De a todo momento escolher
Com acerto e precisão a melhor direção

O sol levantou mais cedo e quis
Em nossa casa fechada entrar pra ficar

O medo de amar é não arriscar
Esperando que façam por nós
O que é nosso dever: recusar o poder

O sol levantou mais cedo e cegou
O medo nos olhos de quem foi ver
Tanta luz



sábado, 15 de novembro de 2008

Quem você é?



Voltei. Não imaginava que umas semanas de trabalho intenso poderiam me impedir de produzir algum post atualizado. É verdade que sumi. Ao contrário de amigos que escrevem quando estão sob stress, como o Eduardo, eu não consigo ser assim. Se algo não me incomoda, não dá pra escrever. E escrever sobre trabalho não é nada atraente. O trabalho foi a única coisa que me tocou nas últimas semanas, além da minha amada.

Estou aqui pensando. Somos dois.

Um de nós precisa seguir as demandas da vida. Está sempre pronto a produzir, atender à lógica da produtividade, fazer aquilo que esperam de nós.

O outro quer transgredir. Procura ser feliz, gozar, ver estrelas na escuridão, encontrar amigos onde só há desilusão, descobrir a fórmula da felicidade que não se esgota.

Quem vence esse embate? Quem você quer que vença?

Ouça o Lenine.


 Lenine - Paciência


Paciência
(Lenine)

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...



quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O breve espaço em que você não está


Pedido de amigo é uma ordem. O Alexandre é apaixonado por Pablo Milanés (o sujeito é realmente bom)e queria ouvi esta canção no blog.

Não vou comentar nada. Nem é preciso.

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El breve espacio en que no estás

Todavía quedan restos de humedad,
sus olores llenan ya mi soledad,
en la cama su silueta
se dibuja cual promesa
de llenar el breve espacio en que no estás.

Todavía yo no sé si volverá,
nadie sabe al día siguiente lo que hará,
rompe todos mis esquemas
no confiesa ni una pena,
no me pide nada a cambio de lo que dá.

Suele ser violenta y tierna
no habla de uniones eternas,
más se entrega cual si hubiera
sólo un día para amar.

No comparte una reunión
más le gusta la canción
que comprometa su pensar.

Todavía no pregunté: te quedarás,
temo mucho a la respuesta de un jamás,
la prefiero compartida
antes de vaciar mi vida
no es perfecta mas se acerca a lo que yo
simplemente soñé.

Quem quiser, pode ver aqui embaixo o Pablo Milanés cantando com o Victor Manuel esta mesma música.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Chamada contra a pobreza



Milhares de blogs de todo o mundo se juntam neste 15 de outubro para levantar a voz contra a pobreza. Aderi à campanha porque, na minha opinião, a pobreza é a maior prova do fracasso da humanidade.

Estou meio cansado das formulações exóticas que desenvolvemos para justificar o nosso consumo de bens inúteis, descartáveis, que servem apenas para movimentar a máquina insana do consumismo.

Como diriam os Titãs: “miséria é miséria em qualquer canto, riquezas são diferentes”. Ou, ouvindo Jesus Cristo: “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”. Verdade verdadeira.

A pobreza é uma vergonha!




terça-feira, 14 de outubro de 2008

Quem não ouvir quando o assunto for a crise



Vou falar de economia apenas para dar um conselho bem particular: não confie em jornalistas (e olha que eu sei o que é ser jornalista) e nos ortodoxos economistas brasileiros (mais realistas que os pais do capitalismo moderno).

Nesta segunda-feira, dia 13, o economista norte-americano, Paul Krugman, ganhou o Prêmio Nobel de Economia. Dentre outras visões pouco ortodoxas, ele sempre disse que o Estado deveria regular o Mercado. Sem esta ladainha liberal de que os Mercados se auto-regulam e o Estado é sempre incompetente.

E não é que, por ironia do destino, Krugman ganhou o Nobel exatamente no momento em que os Estados de todo o mundo tiveram que fazer um socorro histório dos Mercados, que estavam à beira do derretimento, nas palavras do Presidente do FMI? Os Estados tiveram que entupir os Mercados de dinheiro para salvá-los da morte.

E o que isso tem a ver com economistas e jornalistas brasileiros?

Ouvi vários economistas dando entrevistas para explicar a ação dos países europes e a eficácia dos planos no combate à crise. Os jornalistas perguntaram: isso vai surtir efeito para acalmar os mercados? Os economistas de araque (alçados à condição de especialistas pela impresa) respondiam: os mercados ainda aguardam sinais de que os planos serão executados como prometidos.

Quer dizer que os Mercados estão à beira do abismo e aguardam sinais dos pobres e incompetentes Governos? Coitadinhos...

Não dê ouvidos e jornalistas e economistas neste momento de crise.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Eu sou boy



Não tenho nada contra os office-boys (acho até que meu pai me fazia de office-boy quando eu era adolescente), mas como são folgados estes sujeitos. Tá bom... os chefes deles são folgados e jogam pressão em cima dos coitados.

Acho que você já deve ter vivido a seguinte situação: entra no elevador e encontra um boy estacionado na porta, com capacete ou mochila na mão. Ele nem se mexe e você tem que atravessar para conseguir um cantinho. O elevador vai se enchendo cada vez mais e o carinha (como diria a Júlia) continua lá parado, fingindo que não vê ninguém. Quem quer entrar ou sair tem que avançar sobre aquela barreira humana. Será que isso tudo é pra descer primeiro e ganhar tempo? A culpa é mesmo do patrão.

E quando eles estão pilotando as motos pelo centro da cidade? Ai do motorista se deixar o braço do lado de fora do carro. Os moto-boys não têm a menor noção do que seja o Código de Trânsito Brasileiro.

Mas, pensando bem, acho que somos todos office-boys: estamos sempre correndo pra lá e pra cá, fazendo as mesmas coisas, contando as mesmas piadas, esbarrando com as mesmas pessoas na filas dos bancos, ouvindo as mesmas músicas no MP3 (boy que é boy, tem IPod).

Música? Então vai uma em homenagem ao boy que mora em cada um de nós.

 Kid Vinil - Sou Boy

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Qual é a lógica?


Se alguém souber o motivo, que me diga. Por que os hotéis fornecem sabonetes e shampoos nos quartos, mas não disponibilizam cremes dentais? Nunca entendi esta lógica da hotelaria.

Aliás, não é nada fácil compreender a lógica do setor. Sempre fico em um hotel de São Paulo (EZ Aclimação) e demorei bastante a conseguir decorar o "endereço" dos meus quartos. Se a chave tem o número 1072, qual é o andar? Você errou se disse décimo. O andar é o sétimo, de 07. Quando você receber a chave 1053, saiba que está no quinto andar. Isso mesmo. Os dois números do meio indicam o andar. Não me pergunte o porquê.

Outra que também tem endereço: Hotel Rondônia, no Rio. Não foi fácil descobrir que a tecla A do elevador indicava a saída. Já tinha visto R, de recepção; P, de portaria; L, de lobby. Mas o que significaria A? O recepcionista esclareceu: acesso.

Imagino que, desde que o Turismo virou ciência (o profissional da área se chama turismólogo), eles devem ter decidido construir um conhecimento mais sofisticado. Talvez venha daí a lógica dos exemplos que acabei de citar.

Mas esse não é um privilégio dos hotéis. Quantas vezes na vida não nos acostumamos com coisas, situações e estilos que soam estranhos aos outros? A nossa lógica pode ser mais particular do que imaginamos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Casinha branca


Você já teve a experiência de enxugar gelo?

É assim que eu me sinto nas sextas-feiras de certas semanas. Como esta, por exemplo. Faço mil coisas, ando pra lá e pra cá, mantenho a cabeça a mil e, no final, sinto que não saí do lugar.

Nestas horas, lembro-me de uma frase de Kierkegaard, que me foi apresentada pelo Rubem Alves, para nunca mais sair da minha cabeça: "pureza de coração é desejar uma só coisa".

Acho que acredito firmemente nisso. Cada ser humano deveria desejar uma coisa apenas durante toda a existência. Não importa o quê, mas um desejo só nos basta.

Não vou tentar resumir aqui o meu desejo. Não seria capaz. Exatamente porque, nestes momentos, sinto carregar comigo o sentimento do autor de Eclesiastes (um dos mais filosóficos textos bíblicos): "tudo é correr atrás do vento".

Ainda vou descobrir uma maneira de não me desviar do meu desejo.

Não estarei onde não se possa ver uma luz, não darei ouvidos a palavras que não construam sentido, não gastarei minhas forças em projetos que não valham a pena.

Quero sentir as marcas de cada passo que eu der, quero a paz de quem caminha ao encontro da coisa desejada.

Talvez eu queira mesmo é achar a minha "casinha branca", este arquétipo tão brasileiro de uma vida cheia de sentido.

 Gilson - Casinha branca


CASINHA BRANCA (Gílson)

Eu tenho andado tão sozinho ultimamente
Que não vejo em minha frente
Nada que me dê prazer
Sinto cada vez mais longe a felicidade
Vendo em minha mocidade
Tanto sonho a perecer
Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer
Às vezes saio a caminhar pela cidade
À procura de amizades
Vou seguindo a multidão
Mas eu me retraio olhando em cada rosto
Cada um tem seu mistério
Seu sofrer, sua ilusão
Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer
Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer ...


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Chorar de felicidade


Não choro muito. Infelizmente, fui treinado a controlar minhas emoções. Por isso, não posso falar sobre o choro, mas sobre a vontade de chorar.

Acho que tenho sempre muito mais vontade de chorar nos momentos alegres. As tristezas me fazem ser racional. As alegrias me deixam emocionado.

Quando estamos felizes, o nosso choro (ou desejo de chorar) é um grito que tenta eternizar a beleza. Nunca é bom saber que a alegria completa vai e vem, sem que a gente perceba como.

Falo isso para relembrar a roda de viola do último sábado (não chorei, é bom que se diga). Cantamos coisas do arco da velha. Por mais que meu amigo Eduardo não concorde, a felicidade sempre mira o passado. Não que ela esteja apenas lá. Mas, de lá, vêm algumas provas de como é possível ser feliz.

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NOTURNO

O aço dos meus olhos
E o fel das minhas palavras
Acalmaram meu silêncio
Mas deixaram suas marcas...

Se hoje sou deserto
É que eu não sabia
Que as flores com o tempo
Perdem a força
E a ventania
Vem mais forte...

Hoje só acredito
No pulsar das minhas veias
E aquela luz que havia
Em cada ponto de partida
Há muito me deixou
Há muito me deixou...

Ai, Coração alado
Desfolharei meus olhos
Nesse escuro véu
Não acredito mais
No fogo ingênuo, da paixão
São tantas ilusões
Perdidas na lembrança...

Nessa estrada
Só quem pode me seguir
Sou eu!
Sou eu! Sou eu!...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Lugares comuns


Não vou esconder. De vez em quando assisto Fantástico.
No último domingo eles apresentaram uma reportagem sobre a queda dos índices de natalidade no Brasil. Atualmente, registramos uma média de 1,8 filho por mulher.

O Fantástico me fez lembrar como nos contentamos com análises baseadas no lugar comum. Quando o assunto é a pobreza no Brasil, fico impressionado com o número de pessoas que ainda saem com aquela: "precisamos investir no controle de natalidade".

Há muito tempo, as taxas de natalidade deixaram de ser combustível para o aumento da pobreza.

Mas tem lugar comum que revela ainda mais preguiça de pensar. Como diria meu amigo Eduardo Nunes, se, em um processo de seleção para uma vaga de emprego em alguma organização que trabalha com desenvolvimento social, o candidato pronunciar a frase seguinte, deve ser imediatamente mandado para casa: "não devemos dar o peixe, mas ensinar a pescar".

Confesso: não tenho muita paciência com pessoas que debatem a partir de frases feitas.

Gosto de uma frase que vi pichada em um muro, atribuída ao Millôr: "a ânsia de parecer genial, revela cada imbecil!"